Quase 60% dos brasileiros querem revisão da Reforma Trabalhista elaborada por Rogério Marinho, aponta pesquisa

Foto: Marcos Corrêa/PR

Números de uma pesquisa feita pela Genial/QuaestA apontam que 58% quer uma revisão da reforma trabalhista e apenas 27% se dizem favoráveis ao projeto relatado pelo então deputado federal Rogério Marinho (PSDB) e aprovado em 2017 durante o governo de Michel Temer. A legislação, alterada sob o pretexto de baratear o custo do trabalho para, desse modo, criar mais empregos, fracassou.

As informações da pesquisa foram divulgadas pela jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo. Ainda de acordo com o levantamento, a rejeição à reforma é maior entre os eleitores de Lula (64%) do que entre os de Jair Bolsonaro (33%). Dos que declaram voto no petista, 67% acham que ela deve ser revista.

O Brasil fechou o ano de 2021 com 13,8 milhões de desempregados, maior estimativa da série histórica, iniciada em 2012. Esse número é 59% maior do que o registrado em 2015, último ano antes do impeachment. De lá para cá, o mundo do trabalho viu crescer empregos precários, a subocupação e a informalidade. Enquanto isso, a renda média caiu e atingiu seu menor nível em uma década.

Desse modo, a pesquisa Genial/Quaest demostra que os números da má gestão da economia já refletem diretamente na opinião pública. E a recente revisão da reforma trabalhista na Espanha reacendeu o debate no Brasil. Assim como aqui, os espanhóis viram uma legislação que “flexibilizou” direitos fracassar na justificativa de criar empregos. A reforma aprovada em 2012 na Espanha acabou sendo revista, depois de passar por um longo processo de diálogo, envolvendo empresários, movimento sindical e governo. A nova lei trabalhista foi aprovada neste início de ano.

Rogério Marinho é considerado o “pai da reforma trabalhista”
O projeto que alterou mais de 100 artigos da CLT aprovada ainda durante o governo de Getúlio Vargas teve como relator e principal articulador o ex-deputado federal e hoje ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho (PL). O potiguar é pré-candidato ao Senado Federal no Rio Grande do Norte e contará com o apoio de Jair Bolsonaro, que amarga quase 60% de rejeição no Estado.

Em 2018, quando tentou renovar o mandato na Câmara Federal, Marinho foi derrotado nas urnas e amargou apenas a 12ª colocação, ficando na segunda suplência da coligação. Ele foi o segundo candidato que mais gastou na campanha, aproximadamente R$ 1,8 milhão, verba oficial declarada à Justiça Eleitoral.

Entrevistado logo após a derrota, Rogério Marinho colocou a culpa pelo fracasso eleitoral no PT e na reforma trabalhista, que teria sido usada pela esquerda, segundo ele, para atacá-lo na campanha.

Em janeiro, durante entrevista a uma rádio do interior do Estado, o atual senador Jean Paul Prates (PT) chamou Marinho de “pai do desemprego”, lembrando as digitais do ministro de Bolsonaro na aprovação da reforma trabalhista.

Lula defendeu revogação
O ex-presidente Lula, favorito na eleição presidencial de 2 de outubro, já defendeu em entrevistas que o Brasil faça o mesmo que a Espanha. Ou seja, articular um processo de negociação que envolva governo, empresas e sindicalistas. Além disso, outra preocupação de Lula é compor uma aliança com amplos setores da política e da sociedade para assegurar governabilidade e uma maioria no Congresso.

Há quatro anos, as pesquisas já demonstravam que os brasileiros eram contrários à “reforma” trabalhista e às privatizações de empresas públicas. Entretanto, o Congresso eleito em 2018 é considerado um dos mais conservadores da história recente. E que acabou aprovando também a reforma da Previdência.

“O que precisaremos é repensar a legislação trabalhista”, disse o ex-ministro do Trabalho Luiz Marinho em entrevista recente à TVT. “Evidentemente, de forma pactuada, como ocorreu na Espanha. A partir da negociação entre governo, lideranças empresárias e lideranças trabalhistas. Para repactuar um processo de valorização do mercado de trabalho. Buscando, dessa forma, gerar empregos de qualidade”, acrescentou Marinho, que também presidiu a CUT e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Com informações do Brasil de Fato e Rede Brasil Atual

Fonte: Agência Saiba Mais

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